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30 de jul. de 2007

Continuidade e Permanência no Mercado



O lema do (ISC)2 é muito adequado a realidade de praticamente todos os negócios: security transcends technology (segurança transcende a tecnologia), algo que a maioria das organizações ainda não percebeu. Isso é péssimo para os profissionais da área, que acabam não tendo o seu trabalho valorizado como deveria, para as organizações que só tem uma dimensão exata desta importância quando o problema toma proporções que doam no bolso daqueles que recebem os polpudos bônus anuais, e para a sociedade, que dependendo do impacto pode viver uma tragédia.

Quando o acidente com o vôo 3504 ocorreu, publiquei um post onde levantei a bola da ausência completa de um Plano de Continuidade de Negócios na TAM. Em seguida, publiquei outro post onde falei sobre o desconhecimento dos executivos desta empresa sobre a necessidade de um Plano de Resposta a Incidentes, componente comum na disciplina citada anteriormente.

Dando sequência ao que podemos aprender com esta tragédia, veja que ROI, ROSI e a sopa de acrônimos usados por vendedores de produtos de segurança para impressionar clientes de nada vale quando temos fatos concretos e tendências de mercado geradas por um Evento de Ruptura e incrementados pela falta de gerenciamento dos envolvidos. As evidências estão nas notícias abaixo, que não foram escritas por um profissional de Segurança da Informação.

  • 05/08/07: Acidente afeta marca TAM, dizem especialistas: O acidente com o Airbus da TAM não terá impacto direto sobre os resultados financeiros da companhia, visto que as despesas com perdas materiais e indenizações serão cobertas por seguro. Mas os efeitos sobre a marca TAM poderão ser enormes, em função das críticas às atitudes da empresa frente à tragédia de 17 de julho e também diante da atual crise aérea, avaliam especialistas em marketing.
  • 23/07/07: Com acidente, valor da TAM cai R$ 1,7 bilhão: Em três pregões na Bovespa, ações da companhia desvalorizaram 17%. Tragédia pode ter impacto também no preço do seguro de aviões.
  • 19/07/07: Ações da TAM Caem 6,6%: As ações PN da TAM lideravam as perdas no Ibovespa nesta quarta-feira, após o acidente de ontem com um avião da companhia no aeroporto de Congonhas.
  • 18/07/07: Ações da TAM perdem 9% e Bovespa cai: A queda de 8,93% da TAM foi uma reação do mercado ao pior acidente aéreo do país, que já tem 176 mortos confirmados.

14 de jun. de 2007

Uma luz no fim do túnel?



Eu mencionei por diversas vezes a falta de planos de contingência para a aviação civil, onde os passageiros eram submetidos a todo tipo de constrangimento e descaso pela falta de suporte no caso de falha de uma aeronave, ausência de tripulação e toda sorte de problemas que podem ser evitados, ou no mínimo, minimizados com planejamento e algumas atitudes básicas.

Após a recente tragédia no Aeroporto de Congonhas, o pronunciamento do presidente da república me deixou com uma certeza; as organizações em qualquer esfera, só tomam uma atitude quando a ameaça torna-se uma realidade e o problema fica incontrolável. Quando as pessoas sofriam com as esperas intermináveis nos aeroportos, não existia apagão aéreo; quando as companhias aéreas praticavam overbooking diariamente, era graças ao crescimento econômico; e quando pessoas morrem o problema é … ah, o saco de desculpas está vazio?

Independente das causas do acidente, que até este momento não foram esclarecidas, fica claro que o resultado teve diversas causas, e as medidas citadas no pronunciamento feito pelo presidente dão boas pistas delas:

  • Mudança do perfil operacional do aeroporto de Congonhas, com diminuição do número de vôos e restrição ao peso das aeronaves. Embora Congonhas atenda a todas as normas internacionais de segurança, isso não basta. (…)
  • Fortalecimento da Agência Nacional da Aviação Civil, a Anac, para que atue mais efetivamente em defesa dos interesses dos usuários do sistema nacional;
  • Intensificação das medidas de modernização do controle de tráfego aéreo; (n.a. desculpe, mas intensificar não significa alocar mais recursos em algo que já está sendo feito?)
  • Definição, em 90 dias, do local da construção de um novo aeroporto na região de São Paulo;
  • Exigência de que as companhias aéreas tenham sempre, de sobreaviso, em regime de contingência, aeronaves e tripulações para ser acionadas em caso de necessidade.

Infelizmente a atitude foi tomada (ou ao menos comprometida) depois que algo bem mais grave que uma contaminação por vírus de computador ou a perda de uns dias de faturamento aconteceu.